23 mar
2012
Postado em: CCBB Rio
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Chico César recria cancioneiro de Torquato Neto

Torquato Neto (1944-1972) se autodenominava um anjo torto, inspirado nos versos de Carlos Drummond de Andrade. Poeta, jornalista, letrista e ligado à contracultura: suas habilidades eram tantas que o colocaram, com folga, na proa do Tropicalismo levado adiante pelos seus parceiros Caetano Veloso e Gilberto Gil. Torquato disse adeus cedo demais, aos recém-completados 28 anos, antes de ver a chegada do “pop genuinamente brasileiro” com o qual tanto sonhava e que é tão bem defendido por Chico César (1964). Talvez por possuir uma poética similar, o múltiplo Chico César interpreta as criações de Torquato com uma propriedade rara e, ouso dizer, impactante. Será mágico presenciar novamente – a estreia foi no CCBB Brasília, em setembro último – o encontro das tintas inventivas desses dois filhos do Nordeste, com acompanhamento de Lívia Mattos na sanfona. Será neste sábado, 24, e domingo, 25 de março, a partir das 19h, no CCBB Rio.

Leia também: Torquato Neto, anjo torto por ele mesmo

Por Monica Ramalho
Foto de Débora Amorim

20 mar
2012
Postado em: CCBB Rio
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Jards Macalé revive parceria com Waly Salomão

Waly Salomão (1943-2003) foi um reconhecido poeta e letrista, ligado à contracultura na década de 1970, que transitou na seara fértil da música popular brasileira. O baiano que  dirigiu Gal Costa e produziu Cássia Eller em trabalhos memoráveis e venceu o Prêmio Jabuti com um de seus nove livros de prosa e poesia, continua a ser regravado por grandes estrelas. Nascido no mesmo ano em que o parceiro, no Rio de Janeiro, Jards Macalé vem fazendo história. Entre seus feitos, Macalé também dirigiu uma cantora de destaque, Maria Bethânia, e fez canções com Torquato Neto, outro homenageado, entre elas a célebre “Let´s play that”, de onde saiu o nome da série. Em 2005, Macalé reuniu o melhor do cancioneiro da dupla com Waly no álbum ‘Real Grandeza’, um documento vivo da genialidade desses anjos tortos. O show de Macalé em homenagem a Waly será nesta quinta, 22, e sexta, 23 de março, a partir das 19h, no CCBB Rio.

Leia também: Waly Salomão e sua declamada irreverência

Por Monica Ramalho
Foto de Débora Amorim

16 mar
2012
Postado em: CCBB Rio
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Max de Castro abre baú dançante de Simonal

Wilson Simonal (1938-2000) foi um dos artistas mais produtivos, conhecidos e bem pagos da música popular brasileira na década de 1960, mas quando Max de Castro veio ao mundo, em 1972, o seu pai já estava estigmatizado, sem que fosse verdade, como informante dos militares. Primeiro negro a apresentar sozinho um programa de tevê no país, Simonal incentivou a carreira dos seus garotos e Max já estreou com um álbum aclamado pela crítica. Em seguida, virou sinônimo de modernidade e passou a ser convidado para produzir faixas nos discos de grandes nomes, conquistando ótimos lugares nas listas dos melhores do ano de publicações especializadas, pelo mundo. Será emocionante ver o filho cantar os sucessos próprios e de Simonal, ambos cariocas, e mostrar ao vivo todo o suingue que herdou do Rei da Pilantragem neste sábado e domingo, dias 17 e 18, a partir das 19h, no CCBB Rio. ‘Anjos Tortos’ é a boa do fim de semana!

Leia também: Wilson Simonal foi um dos nossos maiores cantores

Por Monica Ramalho
Foto de Débora Amorim

14 mar
2012
Postado em: CCBB Rio
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Isca de Polícia + Arrigo Barnabé = Itamar Assumpção (a equação perfeita!)

O cantor e compositor Itamar Assumpção (1949-2003) permanece no futuro, embora suas músicas irreverentes, bem humoradas e repletas de crítica social estejam saindo dos vinis independentes que ele mesmo produziu nas décadas de 1980 e 1990 para os álbuns de intérpretes das gerações posteriores, a reboque de Cássia Eller, outro anjo tortíssimo. Dono de uma cabeça que não dava descanso para ninguém, Itamar fundou a Isca de Polícia em 1979 com o objetivo de ter uma banda sólida, que trabalhasse em cima das linhas de baixo, em discos e shows. E o bonito é ver que a Isca continua na ativa, fazendo Itamar reviver como se não houvesse amanhã. Em 2006, o Nego Dito ganhou um tributo em forma de disco do parceiro Arrigo Barnabé. Juntos, Isca e Arrigo sobem ao palco do CCBB Rio nesta quinta, 15, e sexta, 16 de março, às 19h, para cantar as obras majestosas desses dois mentores da Vanguarda Paulista. Imperdível, prezadíssimos ouvintes!

Leia também: Itamar Assumpção, ainda um verbo no futuro

Por Monica Ramalho
Foto de Oscar Bastos

12 mar
2012
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Programe-se!

27 fev
2012
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Anjos Tortos abre as asas no CCBB Rio!

Dizem que a alegria é das emoções mais frívolas dos homens. Isso porque, apesar de entusiasmar os corações, ela voa rápido como as nuvens no céu. No entanto, parece que a vida faz mais sentido quando colecionamos uma quantidade razoável de bons momentos. Sim, é com imensa alegria que apresentamos para você a série ANJOS TORTOS, A MPB GAUCHE NA VIDA. Provavelmente, com a mesma alegria que passou num rabo de foguete  para alguns dos artistas que vamos homenagear, como Torquato Neto, que foi embora por vontade própria aos 28 anos, tempo curiosamente suficiente para deixar uma robusta criação em verso e prosa. Outros puderam se divertir mais, caso de Waly Salomão, que viveu para ver suas variadas e vastas produções inspirarem seus pares e as gerações seguintes.

Talvez Itamar Assumpção não tenha se divertido tanto porque assumiu uma missão hercúlea: ser um artista independente. E pensar que, no mercado atual da música, é comum quem grave seus álbuns num computador caseiro e os lance por selos pequenos ou até mesmo bancando a produção, bem mais acessível. Itamar foi pioneiro! Dos quatro anjos tortos a serem celebrados, Wilson Simonal foi o único que jamais esteve no panteão da contracultura brasileira. Ele ficou esquecido por uma questão de comportamento e política, chegando a ser acusado, injustamente, de colaborar com o regime militar. Na verdade, o seu sucesso era tremendo que devia suscitar muita inveja e bastou uma derrapagem só para ser esquecido, num instante, por quem antes o aplaudia de pé.

No mais, são todos personagens que queríamos ter sido, seja por escrever canções maravilhosas, viver com uma liberdade fora dos comum ou trabalhar ombro a ombro com os grandes nomes do cancioneiro popular – e fabuloso! – do nosso Brasil. E, para evocar a genialidade desses artistas, escalamos criadores cujas afinidades eletivas são evidentes: a banda Isca de Polícia mostrará, ao lado de Arrigo Barnabé, que a obra de Itamar Assumpção continua à frente do seu tempo, o moderníssimo Max de Castro relembrará o pai Wilson Simonal, Jards Macalé evocará o melhor da dupla imbatível que formou com Waly Salomão e Chico César respingará as tintas inventivas de Torquato Neto na plateia do CCBB Rio – onde a série chega agora após uma bem sucedida passagem pelo CCBB Brasília, em 2011.

Vale lembrar os artistas foram convidados para reler essas obras misturando com autorais e, na medida do possível, equilibrando os roteiros. Apaguem as luzes e bons rasantes a bordo dos Anjos Tortos!

Por Monica Ramalho e Baluarte Agência,
Curadoria da série

1 out
2011
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Isca de Polícia substitui Anelis Assumpção

A banda Isca de Polícia foi criada em 1979 por Itamar Assumpção com a finalidade de acompanhá-lo em gravações e shows, no Brasil e no exterior, onde excursionaram em países como Alemanha, Suiça, Áustria e Holanda. Juntos, gravaram os mais importantes elepês de Itamar e fizeram participações especiais em trabalhos de outros artistas, entre eles Ney Matogrosso. Desde a morte do artista, em 2003, a banda vem recebendo convites para se apresentar em festivais pelo país, sempre com o objetivo de divulgar a música original e criativa de Itamar Assumpção.

Em 2009, a Isca de Polícia fez shows em comemoração aos 30 anos do Teatro Lira Paulistana, em um projeto da Funarte sobre a Vanguarda Paulista, da qual Itamar foi um dos mentores, em parceria com Arrigo Barnabé. A banda também participou do Festival Station Brésil, dentro das comemorações do Ano da França no Brasil, nas cidades de Brasília e São Paulo, onde todos os integrantes moram.

Formada por Paulo Lepetit, Bocato, Luis Chagas, Marco da Costa, Jean Trad, Vange Milliet e Suzana Salles, a Isca de Polícia gravou um álbum só com inéditas de Itamar para a ‘Caixa Preta’, lançada em 2010, via Selo Sesc, com a obra fonográfica completa do artista. Produzido pelo baixista Paulo Lepetit, esse disco contou com a participação de Naná Vasconcelos, Zélia Duncan e Arrigo Barnabé, entre outros.

Ainda em turnê de lançamento dessa bolacha, a Isca de Polícia está em Brasília para divulgar essas canções, que serão misturadas com outros clássicos de Itamar nesses dois espetáculos de encerramento da série ‘Anjos Tortos, a MPB gauche na vida’. A banda substituirá a filha de Itamar, Anelis Assumpção, que está grávida de sete meses, sentiu-se mal e foi proibida de viajar pelo seu médico. No sábado, Jards Macalé fará uma participação especialíssima.

Por Monica Ramalho
Foto de divulgação

1 out
2011
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Itamar Assumpção, ainda um verbo no futuro

Para falar de Itamar Assumpção é necessário usar o verbo no futuro. Paulistano de Tietê, no interior, nascido em 13 de setembro de 1949, aprendeu violão por conta própria, mas apaixonou-se pelo baixo escutando os vinis de Jimmy Hendrix e Miles Davis – e, a partir disso, criou todo o seu cancioneiro baseando-se nas linhas graves do instrumento. Aos 12 anos, foi morar em Arapongas, no Paraná, e chegou a estudar contabilidade, mas abandonou tudo para atuar nos teatros e bares de Londrina, onde conheceu o parceiro Arrigo Barnabé. Juntos, lideraram a Vanguarda Paulista.

Acompanhado da banda Isca de Polícia (que vai homenagear Itamar neste sábado e domingo, substituindo Anelis Assumpção na série ‘Anjos Tortos, a MPB gauche na vida’), o artista lançou 13 discos, compilados recentemente na ‘Caixa Preta’ (Selo Sesc, 2010). Itamar assumiu para si uma missão hercúlea: ser um artista independente. E pensar que o que mais existe no mercado atual da música é quem grave seus álbuns num computador caseiro e os lance por selos pequenos ou até mesmo bancando a produção, hoje bem mais em conta. Itamar fez isso antes de todo mundo.

Com a Isca, Itamar lançou os elepês “Beleléu, Leléu, e eu” (1980), “Às próprias custas S. A.” (1983), “Sampa midnight – Isso não vai ficar assim” (1986) e “Intercontinental! Quem diria! Era só o que faltava” (1988). Lançou “Bicho de sete cabeças” (1993) e “Bicho de sete cabeças vol. 2” (1994), acompanhado pelas Orquídeas do Brasil, reunidas e exaustivamente ensaiadas por ele. Em 1996, colocou nas prateleiras o premiado álbum “Ataulfo Alves por Itamar Assumpção – pra sempre agora”. Em 1998 lançou “Pretobras – Por que eu não pensei nisso antes…”.

Em 2006, foi celebrado por Arrigo no disco “Missa in memoriam – Itamar Assumpção”. Integrante da galeria dos malditos da MPB, rótulo que rejeitou com veemência, Itamar foi regravado por grandes nomes, entre eles Cássia Eller (“Já deu pra sentir” e “Aprendiz de feiticeiro”), Zélia Duncan (“Dor elegante”, “Milágrimas”, “Código de acesso”) e Monica Salmaso (“Canto em qualquer canto”, ao lado de Ná Ozzetti). O Nego Dito nos deixou em junho de 2003, vítima de câncer e volta agora nesses dois shows de encerramento da série ‘Anjos Tortos, a MPB gauche na vida’, no CCBB Brasília.

Por Monica Ramalho
Foto de divulgação

28 set
2011
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Jards Macalé é o retrato vivo de uma geração

Eis aqui mais um anjo torto original na ativa. Nascido em 3 de março de 1943, exatamente seis meses antes de Waly Salomão, o pequeno Jards Anet da Silva bebeu trocou as primeiras fraldas na  Tijuca, bairro da zona norte carioca, embaixo do Morro da Formiga. O batuque do morro entrava pelas janelas e, do lado de dentro, sua mãe tocava piano e seu pai, sanfona. Devia ser uma festa para o menino, que antes mesmo de se entender por gente, já escutava de um tudo: valsas, sambas, modinhas, foxes, muito Orlando Silva, Emilinha Borba e Marlene.

Ainda moleque, mudou com a família para Ipanema. Como era ruim de bola até dizer chega, seus amigos o apelidaram de Macalé – como se chamava o pior jogador do Botafogo. Jards Macalé já sabia que queria ser músico e estudou com afinco enquanto treinava em pequenas e amadoras formações. Foi aluno de Guerra Peixe em piano e orquestração, Peter Dauelsberg em violoncelo, Ester Scliar em análise musical e Turíbio Santos em violão. Em 1965, iniciou a jornada profissional no musical “Opinião”. No ano seguinte, assinou a direção musical de um show de Maria Bethânia.

Jards Macalé é o retrato vivo de uma geração. Fez trilhas sonoras de filmes (“Macunaíma”, de Joaquim Pedro de Andrade, “O dragão da maldade contra o santo guerreiro”, de Glauber Rocha, e “Tenda dos milagres”, de Nelson Pereira dos Santos) e peças de teatro. Autor de “Movimento dos barcos”, “Hotel das estrelas”, “Gotham city”, Macalé fez parcerias com, entre outros, Torquato Neto, Jorge Mautner, Capinam, Moreira da Silva, Vinicius de Moraes e Waly Salomão.

Waly foi o principal parceiro e o cancioneiro dos dois virou álbum em 2005, sob a direção musical de Cristovão Bastos “Real Grandeza” traz “Anjo exterminado”, “Vapor barato”, “Mal secreto”, “Negra melodia”, “Revendo amigos”, “Pontos de luz” e as inéditas “Berceuse crioulle” e “Olho de lince”, entre outras. Macalé vai tocar mais uma vez essas canções na série ‘Anjos Tortos, a MPB gauche na vida’ nesta quinta e sexta, dias 29 e 30 de setembro, no CCBB Brasília. Ainda dá tempo de assistir o documentário “Jards Macalé – Um morcego na porta principal”, dirigido em 2010 por Marco Abujamra e João Pimentel!

Por Monica Ramalho
Foto de divulgação

28 set
2011
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Waly Salomão e sua declamada irreverência

Até os mais jovens conhecem a obra de Waly Salomão, muitíssimo regravado nos últimos anos por Adriana Calcanhotto, com quem escreveu novas canções, e revisitado pela rapaziada da banda O´ Rappa. Filho de sírio com uma sertaneja, Waly nasceu em Jequié, na Bahia, em 3 de setembro de 1944. Aos 23 anos, se formou em Direito pela Universidade Federal da Bahia, mas sempre usou seu poder de argumentação em prol da cultura brasileira. Foi a partir do encontro da poesia com a atitude que forjou sua própria marca, pra lá de irreverente, virando um ícone da contracultura dos anos 70.

Podemos dizer sem medo que Waly Salomão foi um anjo torto que deu muito certo: suas músicas ganharam fama nas vozes de figuras de destaque da MPB, dirigiu Gal Costa no legendário show “Gal Fa-Tal”, produziu dois álbuns de Cássia Eller (“Veneno Antimonotonia”, em 1997, e “Veneno vivo”, em 1998), lançou nove livros de prosa e poesia desde o antológico “Me segura que eu dar um troço”, de 1972, e até venceu um Prêmio Jabuti de Literatura com “Alfaravias”, de poemas.

Autor de clássicos, entre eles “Vapor Barato” (parceria com Jards Macalé, que virou símbolo da resistência tropicalista dos que continuaram no Brasil quando Caetano e Gil estavam exilados em Londres), viveu plenamente os anos do desbunde ao sabor das ideias tropicalistas sonhadas por ele e seus conterrâneos, como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Capinan. Foi muito amigo de Torquato Neto, homenageado nessa série por Chico César na semana passada. Com o auxílio da viúva de Torquato, Ana Duarte, Waly editou o único livro do amigo, “Os últimos dias de Paupéria”, em 1984.

Waly Salomão colaborou exaustivamente com diversos jornais e revistas, organizou livros e participou de coletâneas ao redor do mundo. Trabalhou no Ministério da Cultura, como assessor de Gilberto Gil, e uma de suas propostas era a inclusão de um livro na cesta básica nacional. Foi levado por um câncer no intestino, em maio de 2003. Dois anos depois, o amigo e parceiro Jards Macalé lançou o álbum “Real Grandeza” reunindo a “água filtrada” (como dizem os baianos, referindo-se ao que há de melhor) da produção da dupla.

Por Monica Ramalho
Foto de divulgação